Receita fiscal cai mais do dobro da estimativa do Governo

A receita fiscal apresentou um decréscimo de 14%, de Janeiro a Julho de 2020 e face a igual período de do ano passado 2019, o que se traduz em quase o dobro da previsão do Governo revista pelo Orçamento do Estado Suplementar, em que está inscrita uma contração de 7,5%. Em termos absolutos, o recuo da receita fiscal até ao final do mês de Julho (-3.899 milhões de euros) foi superior ao previsto para o conjunto do ano (-3.870 milhões de euros)”, faz notar a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO). A quebra significativa nos impostos já tinha sido revelada na síntese de execução orçamental da Direção-Geral do Orçamento relativa a Julho, mas a UTAO vem agora sinalizar que este cálculo pode estar subestimado.

Exportações portuguesas para países da União Europeia recuaram 15% este ano

As exportações nacionais para países da União Europeia recuaram 15% entre Janeiro e Julho deste ano face a período homólogo para 21,6 mil milhões de euros, segundo o Eurostat. Para os países fora da UE, as exportações portuguesas desceram 17% para 8,6 mil milhões de euros até Julho. No total, as exportações nacionais sofreram uma queda de 16% nos primeiros sete meses deste ano para 30,2 mil milhões de euros. Analisando as importações, estas sofreram um recuo de 20% até julho para 38,4 mil milhões de euros.

Pandemia atira preços da hotelaria para mínimos

Apesar da recuperação já sentida no mês de Julho, o preço médio praticado pela hotelaria derrapou quase 17% este ano, contribuindo para a queda dos proveitos totais para mínimos históricos. A atividade turística recuperou em Julho, mês em que os estabelecimentos hoteleiros receberam um milhão de hóspedes, responsáveis por 2,6 milhões de dormidas.

Investimento dos vistos gold caíu para €57,6 milhões

O investimento captado através dos vistos ‘gold’ caiu 30% em agosto, em termos homólogos, para 57,6 milhões de euros, mas subiu 2,8% face a Julho. Em Agosto, o investimento resultante da concessão de Autorização de Residência para Investimento (ARI) atingiu 57.694.424,11 euros, o que representa uma queda de 30% face a igual mês de 2019 (82,5 milhões de euros). No mês passado foram atribuídos 107 vistos ‘dourados’, dos quais 97 por via da aquisição de bens imóveis (25 na compra para reabilitação urbana) e dez através do critério de transferência de capital. A compra de imóveis totalizou um investimento de 50,1 milhões de euros em agosto, dos quais nove milhões de euros correspondem à aquisição para reabilitação urbana.

Excedente da balança comercial da zona euro sobe para €27,9 mil milhões

A balança comercial externa de bens da zona euro registou um excedente de 27,9 mil milhões de euros em Julho, face aos 23,2 mil milhões de euros do mesmo mês de 2019. As exportações para países terceiros recuaram 10,4% para os 185,2 mil milhões de euros e as importações para 27,9 mil milhões de euros. Na UE, o excedente da balança comercial de bens aumentou em julho para os 25,8 mil milhões de euros, face aos 20,2 mil milhões de euros do mês homólogo. Entre os 27 Estados-membros, por seu lado, as trocas comerciais chegaram aos 239,2 mil milhões de euros, um recuo homólogo de 7,4%.

Vistos gold totalizaram mais de €5,4 mil milhões em sete anos

Em quase sete anos – o programa ARI foi lançado em outubro de 2012 -, o investimento acumulado até agosto passado totalizou 5.488.957.942,38 euros, com a aquisição de bens imóveis a somar 4.958.811.718,50 euros. Desde a criação deste instrumento, que visa a captação de investimento estrangeiro, foram atribuídos 9.122 ARI: dois em 2012, 494 em 2013, 1.526 em 2014, 766 em 2015, 1.414 em 2016, 1.351 em 2017, 1.409 em 2018, 1.245 em 2019 e 915 em 2020. Até Agosto, em termos acumulados, foram atribuídos 8.584 vistos ‘gold’ por via da compra de imóveis, dos quais 715 tendo em vista a reabilitação urbana. Por nacionalidades, a China lidera a atribuição de vistos (4.688), seguida do Brasil (968), Turquia (437), África do Sul (378) e Rússia (350). Desde o início do programa foram atribuídas 15.647 autorizações de residência a familiares reagrupados, das quais 1.024 em 2020.

OCDE ligeiramente mais otimista: economia mundial terá recessão será de 4,5% e zona euro contrai 7,9% este ano

OCDE diz que a queda global na produção é menor do que o esperado, mas alerta para as diferenças consideráveis entre países. Para o próximo ano, projeta uma recuperação da economia mundial de 5% e na zona euro de 5,1%. Continua a ser a maior crise económica desde a Segunda Guerra Mundial, mas a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) melhorou ligeiramente as projeções para a quebra do crescimento da economia mundial, projetando agora uma recessão de 4,5% este ano, antes de melhorar para um crescimento de 5% em 2021.

Turismo interno continua a sustentar retoma da atividade turística

O turismo interno continuou em Julho a sustentar a recuperação da atividade turística em Portugal, com as quebras homólogas de hóspedes e dormidas a abrandarem para -64,0% e -68,1%, respetivamente, divulgou hoje o INE. Os proveitos totais do setor diminuíram 70,5% (-88,6% em junho) face a julho de 2019, fixando-se em 157,9 milhões de euros. Já os proveitos de aposento atingiram 123,7 milhões de euros, diminuindo 70,5% (-88,2% no mês anterior). Em Julho, as dormidas na hotelaria (75,9% do total) diminuíram 70,4%, enquanto nos estabelecimentos de alojamento local (peso de 16,0% do total) decresceram 65,5% e no turismo rural e de habitação (quota de 8,1%) recuaram 22,7%. As dormidas dos mercados externos diminuíram 84,5% (-96,7% no mês anterior) e atingiram 889,2 mil.

Bruxelas antecipa que os Estados-membros percam 164 mil milhões de receitas de IVA

A União Europeia (UE) deverá perder 164 mil milhões de euros em receitas do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) que não serão cobradas. No caso de Portugal este montante atingiu, nesse ano, quase 1,9 mil milhões de euros, o que representa um desvio do IVA de 9,6%. Combate à fuga no IVA deve ganhar um novo fôlego. Em 2018, os países com maior desvio do IVA foram a Roménia (33,8% numa liderança já observada em 2017), seguida da Grécia (30,1%) e da Lituânia (25,9%), enquanto os que tiveram menores diferenciais foram a Suécia (0,7%), Croácia (3,5%), e Finlândia (3,6%). Já em termos absolutos, as maiores perdas de IVA ocorreram em Itália (35,4 mil milhões de euros), no Reino Unido (23,5 mil milhões de euros) e na Alemanha (22 mil milhões de euros).

Mais de 80% dos portugueses considera que Portugal atravessa uma recessão económica

Estes números pintam um cenário negro para a economia portuguesa. Antecipa-se uma redução dos investimentos de maior relevo na economia e uma quebra acentuada da confiança dos consumidores. Desemprego entre as principais preocupações para os portugueses. Cerca de 85% dos portugueses afirma que o país atravessa atualmente em recessão económica devido à pandemia da Covid-19, um valor próximo ao registado para a média europeia – 86%. Esta estimativa pinta um cenário negro em Portugal. Antecipa-se uma redução dos investimentos de maior relevo na economia e uma quebra acentuada da confiança dos consumidores.