Dívida pública caiu para 118,2% em 2019, abaixo das estimativas do Governo

O peso da dívida pública caiu para 118,2% em 2019, abaixo dos 118,9% projectados no cenário macroeconómico do Orçamento do Estado para 2020. A dívida pública na óptica de Maastricht continua assim a trajectória descendente, já que diminuiu face aos 122,2%, registados em 2018. Em termos nominais, a dívida pública aumentou 600 milhões de euros no ano passado face a 2018, fixando-se em 249.740 milhões de euros, segundo dados do BdP. No OE2020, o Governo projecta ainda que o peso da dívida pública deverá descer para 116,2% este ano.

Dinamismo do turismo garante excedente comercial

As exportações de viagens e turismo continuam a crescer a bom ritmo e permitem compensar o défice crescente da balança de bens. No ano passado, o superavit engordou 661 milhões de euros e superou os 13 mil milhões. Recordes atrás de recordes no turismo em Portugal têm sido decisivos para contrabalançar défice na troca de bens. Mais 661 milhões de euros: este foi o contributo das viagens e turismo para o saldo da balança de serviços de Portugal com o resto do mundo. Com a balança de bens a degradar-se, este crescimento tem sido fundamental para garantir um excedente na balança comercial.

Bruxelas quer criar um mercado único para os dados europeus

Comissão Europeia apresentou um conjunto de propostas para desafiar o domínio tecnológico dos gigantes tecnológicos da China e de Silicon Valley e apoiar o crescimento da tecnologia europeia. Os planos prevêem regras mais restritas para a inteligência artificial e tecnologia de reconhecimento facial. O objectivo é permitir que todos os dados – sejam de saúde, financeiros, energéticos ou outros – “possam circular livremente dentro da UE” a partir de 2030, num contexto em que se verifica uma “acumulação de grandes quantidades de dados nas grandes empresas tecnológicas”. Isto obriga a que multinacionais como o Facebook, a Amazon e a Google partilhem dados com concorrentes mais pequenos, especialmente aqueles que dizem respeito ao comportamento dos clientes e relativos aos produtos vendidos por estes.

35% do secretismo está na OCDE

Os países da OCDE são responsáveis directos por 35% de todo o secretismo financeiro do mundo, segundo a Tax Justice. Este ranking combina um indicador de secretismo (que coloca Portugal como o 10.º mais opaco da União Europeia) e o volume de transferências financeiras que passam pelo país. Assim, os EUA estão no topo do “ranking” de secretismo financeiro, seguindo-se a Suíça e o Luxemburgo. Por oposição, a Eslovénia surge no final da tabela, ou seja, é o país mais transparente.

Portugal devia abolir os vistos gold

A opacidade financeira está a diminuir em Portugal e no mundo, mas não chega. Além de aprofundar medidas positivas, como o registo do dono real das empresas, Portugal deve abolir os vistos gold, defende a Tax Justice Network. Embora o nível de secretismo financeiro esteja a diminuir em termos globais, a Tax Justice Network, defende que são necessárias medidas mais ambiciosas para dificultar a evasão fiscal e o branqueamento de capitais em Portugal.

Dívida externa cai para 85,1% do PIB, um mínimo de oito anos

Apesar de a dívida externa se estar a reduzir, o excedente externo está cada vez mais curto. No final de 2019, ficou em 0,9% do PIB, mostram os dados do Banco de Portugal. O peso da dívida externa portuguesa, um indicador que mede a diferença entre os activos e os passivos do país em relação ao resto do mundo, caiu para 179,8 mil milhões de euros, o equivalente a 85,1% do PIB. É preciso recuar ao segundo trimestre de 2011, quando o país entrou no programa de resgate da troika, para encontrar um valor mais baixo. Em percentagem do PIB, a dívida externa líquida reduziu-se em 4,4 pontos percentuais entre o final de 2018, e o final de 2019, explica o Banco de Portugal, que aproveitou a publicação para fazer pequenas revisões aos números passados.