Défice externo agrava-se para 2,5 mil milhões com quebra no turismo

Os efeitos da pandemia continuam a fazer-se sentir nas contas externas portuguesas, devido sobretudo ao decréscimo acentuado do saldo da rubrica de viagens e turismo. O saldo conjunto das balanças corrente e de capital, que mede a evolução das contas externas do país, foi negativo em 2.496 milhões de euros nos primeiros cinco meses do ano. Este valor traduz um agravamento de 45% face ao registado nos primeiros cinco meses do ano passado e uma subida considerável contra o registado nos primeiros quatro meses deste ano. Entre Janeiro e Abril o saldo externo foi negativo em 864 milhões de euros, um valor mais de quatro vezes superior ao saldo negativo de 201 milhões registado nos primeiros quatro meses de 2019.

Exportações baixam

Até Maio, as exportações de bens e serviços decresceram 22,2% (17,7% nos bens e 31,0% nos serviços) e as importações diminuíram 17,1% (16,7% nos bens e 18,7% nos serviços). A balança de capital registou um efeito positivo nas contas externas, mas numa dimensão insuficiente para compensar a degradação das restantes balanças. O saldo cresceu 367 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, “em resultado de um aumento dos recebimentos de fundos comunitários e de uma redução das aquisições de activos intangíveis.

Taxa de inflação anual sobe em Junho na zona euro e UE

A taxa de inflação anual fixou-se em Junho nos 0,3%, na zona euro, uma ligeira recuperação face aos 0,1% de Maio, mas longe dos 1,3% homólogos, e nos 0,8% na União Europeia (0,6% e 1,6%, respectivamente), segundo o Eurostat. As mais baixas taxas de inflação foram registadas em Chipre (-2,2%), na Grécia (-1,9%) e na Estónia (-1,6%) e, as mais altas, na Polónia (3,8%), República Checa (3,4%) e Hungria (2,9%). Em Portugal, a inflação anual subiu 0,2%, que se comparam com os -0,6% de Maio e os 0,7% de Junho de 2019.

Injecção estatal na TAP eleva défice até 9,8%

A injecção de até 1,2 mil milhões de euros na TAP poderá, num cenário menos optimista traçado pelo Conselho de Finanças Públicas (CFP), fazer disparar o défice público para 9,8% da riqueza que o País vai gerar este ano. A projecção divulgada não contempla ainda os novos gastos inscritos no Orçamento Suplementar, destinados a fazer face à crise desencadeada pela Covid-19, que levaram o Governo ajustar a previsão do défice para 7% do Produto Interno Bruto (PIB). A juntar aos riscos de incerteza sobre a evolução da economia causados pela situação pandémica, o CFP junta o auxílio financeiro à TAP, que irá pressionar ainda mais as contas públicas devido ao acréscimo das necessidades de financiamento.

Aeroportos esperam recuperar volume de passageiros daqui a quatro anos

O director do Conselho Internacional de Aeroportos na Europa (ACI Europe) disse que a recuperação do tráfego aéreo de passageiros de forma a igualar os níveis do ano passado é esperado apenas em 2024. O ACI Europe assinalou ainda que o tráfego de passageiros em Junho caiu 93% em comparação com o mesmo mês em 2019. No ano passado, os aeroportos europeus receberam 240 milhões de passageiros, valor que este ano desceu para 16,8 milhões. As infra-estruturas devem perder um total de 1.570 milhões de passageiros em 2020, o que significa um decréscimo de 64% em comparação com o ano passado.

Contribuintes fogem ao IRS em 437,8 milhões de euros

Os 90 mil contribuintes que em 2015/2016 estavam no regime da contabilidade organizada de IRS (obrigatório para quem tem um volume de negócios acima dos 200 mil euros) conseguiram manipular as contas de modo a fugir aos impostos em 437,8 milhões de euros. A auditoria da Inspecção Geral de Finanças detectou rendimentos não declarados, serviços cobrados com um valor abaixo do normal e custos fiscais que não existiam. Neste regime encontram-se pequenos restaurantes, cafés, oficinas de reparação automóvel, entre muitos outros pequenos negócios.

Crise do turismo arrasta PIB para pior trimestre de sempre

Economistas apontam queda histórica do PIB. Média das projecções sinaliza tombo de 16,5%. Actividade afundou em Abril e melhorias em Maio foram pouco visíveis. Em tempos de pandemia, o peso do sector do turismo é um lastro que atrasará a retoma da economia. São tempos inéditos os que se têm vivido em Portugal — e no mundo — nos últimos meses, na sequência da pandemia de covid-19. Como inéditos são os números da crise económica que o surto do novo coronavírus está a arrastar.

Portugal continua com menos gente

Uma população mais pequena, mais idosa, mas com poucas diminuições na percentagem em risco de pobreza. Tendência de decréscimo populacional e envelhecimento poderia ser ainda mais notória, não fosse o saldo migratório Portugal tinha, em 2019, menos cerca de 282 mil pessoas do que em 2009, fixando-se, assim, a sua população em 10,3 milhões de pessoas. O decréscimo verificado foi motivado sobretudo por uma diminuição dos nascimentos (86.579 em 2019, com um índice de fecundidade de 1,42), mas o saldo migratório acabou por suavizar esta tendência, dado que foram mais cerca de 45 mil pessoas a entrar no país do que a deixá-lo.

Portugal cada vez mais velho

Portugal regista uma população progressivamente mais envelhecida, verificável pelo facto de o grupo dos maiores de 65 anos ter sido o único a crescer de 2009 para 2019, com um aumento de 18%. Há agora 161 idosos por cada 100 jovens. Também os agregados familiares em Portugal evidenciaram alterações ao último dos 10 anos, como atesta a percentagem de nascimentos fora do casamento (de 38,1% em 2009 passou para 56,8% em 2019) ou a diminuição do número de casamentos (menos 7 mil entre 2009 e 2019, quando se realizaram 33.272, descida esta motivada quase exclusivamente pela queda dos casamentos católicos)

Rendimento no País médio subiu

Em termos económicos, o rendimento médio disponível das famílias fixou-se, em 2018, nos 32.426€, isto a preços constantes de 2016, e a taxa de poupança ficou-se pelos 5% do PIB (7% em termos de rendimento disponível). A taxa de pobreza pouco variou no intervalo analisado, tendo passado de 18% para 17% de 2009 para 2019. No entanto, entre os jovens o valor situa-se nos 19%, quase 1/5 da população com menos de 18 anos. Estes resultados não podem ser dissociados da taxa de abandono escolar de 11% ou do facto de, em 2019, 52% da população com mais de 15 anos ter o ensino básico como nível de escolaridade mais elevado.