Défices da zona euro voltam a atingir máximos históricos: 11,6%

Portugal, que registou um défice de 9,2% no segundo trimestre, foi o sexto país da zona euro com o maior agravamento do saldo orçamental entre o primeiro e o segundo trimestre. A média dos défices na zona euro subiu para 11,6% do PIB no segundo trimestre deste ano, em termos ajustados de sazonalidade, enquanto na União Europeia aumentou para 11,4% do PIB. Estes rácios, que remontam aos meses em que as medidas de contenção da pandemia foram mais fortes em todos os países, representam o maior défice trimestral publicado na série histórica desde 2002.

Setembro fechou com 410 mil pessoas inscritas nos centros de emprego,

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Portugal voltou a aumentar em Setembro, refletindo os efeitos da pandemia da covid-19, que condicionou a atividade económica desde o final do primeiro trimestre. Estavam registados nos Serviços de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 410.174 pessoas sem trabalho, mais 108.892 do que no mesmo mês do ano passado, o que se traduz num acréscimo de 36,1%. Esta subida é superior ao aumento homólogo de 34,5% observado em Agosto, mas inferior ao de 37% registado em Julho, que foi o maior de sempre. Face aos mesmos períodos de 2019, os acréscimos, durante a pandemia, foram de 36,4%em Junho, 34% em Maio e 22,1% em Abril. A subida mais pronunciada aconteceu no Algarve, muito dependente do turismo, que viu o desemprego registado aumentar 157,5%.

Trabalhadores em “lay-off” tradicional atingem valor mais alto desde 2005

O número de trabalhadores em “lay-off” tradicional (regime previsto no Código do Trabalho), atingiu em Setembro 8645, o valor mais alto desde pelo menos Março de 2005. O número de empresas no regime de “lay-off” previsto no Código do Trabalho subiu de 211 em Agosto para 250 em Setembro. Os dados mostram que a grande maioria dos trabalhadores (5082) estavam no regime de suspensão do contrato, em que são pagos dois terços do salário ao trabalhador, financiados em 70% pela Segurança Social. Já os restantes 3563 estavam na modalidade de redução do horário do trabalho, tendo direito a receber pelas horas trabalhadas. Regime simplificado abrangeu cerca de 105 mil empresas e 850 mil trabalhadores.

Transações imobiliárias caíram 21,6% entre Abril e Junho

Em termos regionais, foram as áreas geográficas que se encontram mais expostas e dependentes do investimento directo estrangeiro que sofreram com a pandemia (Região Autónoma da Madeira registou menos 28,7% das transações e o Algarve assistiu a uma erosão de 37,8% das vendas realizadas). O stock atual de imóveis residenciais em oferta, evidencia um sinal preocupante em termos de rotatividade no inventário das empresas, uma vez que 61% dos apartamentos e 63,9% das moradias em comercialização, encontram-se há mais de 6 meses em divulgação.

Economia portuguesa só deverá recuperar do “choque” em 2030

O Governo estima que a economia portuguesa apenas recupere do “choque” da pandemia de covid-19 em 2030, de acordo com o esboço do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). De resto, o executivo português calcula que o impacto anual do PRR no PIB será, em média, de 0,5 pontos percentuais (p.p.), ou seja, sem plano de recuperação a economia nacional cresceria anualmente menos 0,5 p.p. até 2026. Sem o fundo, o PIB português cresceria 5% em 2021, 3,4% em 2022, 2,5% em 2023, 2,3% em 2024, 2,2% em 2025 e 2% em 2026. Já tendo em conta as verbas do Fundo de Recuperação, prevê-se que a economia avance 5,4% em 2021, 3,6% em 2022, 3,3% em 2023, 3,2% em 2024, 2,6% em 2025 e 2,4% em 2026.

Estado gasta 11,5 milhões de euros por hora

Despesa pública ultrapassa os 100 mil milhões de euros, em 2021. Pandemia de Covid-19 é responsável por encargos de 8216 milhões. A despesa pública vai atingir, no próximo ano, os 100 755 milhões de euros. É o valor mais alto de sempre: por hora, os gastos do Estado vão custar aos portugueses 11,5 milhões de euros. Em 2021, a receita total deverá ascender a 91 623 milhões de euros – um aumento de 8,5% – com a receita fiscal a crescer 2839 milhões de euros.