Portugal com excedente orçamental de 402 milhões de euros até Agosto

Portugal registou um excedente orçamental em contabilidade pública nos primeiros oito meses de 2019. O saldo orçamental foi de 402 milhões de euros até Agosto, o que compara com um défice orçamental de 580 milhões de euros no mesmo período do ano passado. A execução orçamental em contabilidade pública das Administrações Públicas (AP) até Agosto registou uma melhoria de 982 milhões de euros (ME) face a 2018. O equilíbrio das contas públicas continua a ser conseguido com o ritmo de crescimento da receita superior ao da despesa. O Ministério das Finanças escreve que “esta melhoria do saldo foi o resultado de um crescimento da receita de 4,6% e da despesa de 2,7%”.

Receita fiscal sobe

Receita sobe com dinamismo da economia. Despesa engorda com salários e pensões. A receita fiscal continua a destacar-se com um crescimento de 4,4% até Agosto com o IVA a crescer 8,1% e o ISP 9,5%. Tal acontece “apesar da redução das taxas de vários impostos”, escrevem as Finanças, argumentando que “a dinâmica da receita é essencialmente justificada pelo bom desempenho da economia”. A mesma justificação é dada para a subida de 8,6% até Agosto das contribuições para a segurança social, que resulta do elevado nível de emprego em Portugal.

Existem 4442 intermediários de crédito autorizados em Portugal

Hoje, quem quiser funcionar como intermediário de crédito tem de ter uma autorização do Banco de Portugal (BdP) para funcionar como tal e estar registado na base de dados do regulador. Governo confiou ao Banco de Portugal a supervisão destas entidades singulares ou colectivas, que intervêm no processo de comercialização de contratos de crédito, sem que se encontrem habilitadas a conceder crédito. Ora, foi concedido um período transitório para que os intermediários dessem entrada de um pedido de apreciação por parte do regulador, que terminou a Dezembro de 2018. Este foi prorrogado até 31 de Julho deste ano. A partir dessa altura, os intermediários deixaram de poder trabalhar sem que tivessem uma autorização do BdP.

Consumo privado atingiu em 2018 máximo desde 1960

O consumo privado (…) ultrapassou em 2018 (129.094,1 milhões de euros) o máximo que datava de 2008 (128.406,2 milhões de euros), a preços constantes. O consumo privado mede os gastos das famílias e das instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias, desde as contas da casa à compra de um novo automóvel. Na última década, as exportações aumentaram de 27,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 para 43,5% do PIB em 2018, “o valor máximo desde 1960”. Já o valor mínimo do peso das exportações no PIB data de 1976, recorda a entidade, quando “representaram apenas 13,5% do PIB daquele ano”. As importações atingiram os 43,4% do PIB em 2018, “batendo o máximo de 40,8% do PIB que datava de 2008”.

Investimento baixa

O investimento na economia portuguesa representa menos de 20% do PIB”. A chamada formação bruta de capital fixo “inclui investimentos tão variados desde edifícios, árvores, ‘software’, maquinaria e outros equipamentos utilizados por mais de um ano na produção de bens e serviços”. Em 1974, o investimento chegou a representar o equivalente a 33,4% do PIB português, mas em 2013 atingiu o mínimo de 14,8% do PIB, sendo o último dado disponível relativo a 2018, quando ficou em 17,6% do PIB.

Carga fiscal revista em baixa mantém-se como a mais alta de sempre

A carga fiscal de 2018 foi revista em baixa em cinco décimas, para 34,9% do PIB devido à nova metodologia do Instituto Nacional de Estatística (INE), mantendo-se, porém, no valor mais alto de sempre. Apesar da revisão em baixa, o valor estimado agora para 2018, continua a ser o mais elevado desde pelo menos 1995, ano do início da série disponibilizada pelo instituto. O total de receitas de impostos e contribuições sociais ascendeu assim a 71.139,3 milhões de euros no ano passado, contra 66.859,1 milhões em 2017 (ao que corresponde uma carga fiscal de 34,1% do PIB).