Como a Europa está a apertar o cerco à evasão fiscal

Há cinco anos, a UE dedicou três frases telegráficas ao tema da transparência dos negócios: prometeu combater a evasão e fraude fiscal; apoiou o imposto sobre as transacções financeiras e uma base fiscal consolidada para as empresas; e comprometeu-se a lutar contra o branqueamento de capitais. Na hora dos balanços de despedida, é caso para dizer que aquilo que escasseou em palavras sobejou em acção, com a equipa a fechar o mandato com uma produção legislativa ímpar nesta área.

Portugal é o terceiro país da UE com mais temporários

É o terceiro valor mais elevado da União Europeia que se tem mantido assim desde o início do século, apenas ultrapassado pela Espanha (26,9%) e a Polónia (21,2%). Ao longo dos anos têm-se registado ligeiras alterações, mas o país parece ter ficado agarrado à última posição do pódio entre todos os 28 países da União Europeia e da zona euro. A flutuação varia entre os 21% e os 22%. A média da União Europeia é substancialmente mais baixa, fixando-se nos 14,1% do total de trabalhadores com idades entre os 15 e os 64 anos. Os Estados-membros com a proporção mais baixa de temporários são a Roménia (1,1%), a Lituânia (1,6%), Letónia (2,7%), Estónia (3,5%) e Bulgária (4%). O Eurostat define “temporários” como as pessoas “que têm um contrato a termo fixo ou cujo trabalho irá terminar se determinado objectivo for atingido.

Endividamento das famílias e empresas nunca foi tão baixo

O endividamento da economia portuguesa inverteu a tendência de descida no primeiro trimestre. A “culpa” é do Estado, já que nas empresas privadas e nos particulares o peso da dívida no PIB está em mínimos históricos. O endividamento da economia portuguesa agravou-se no primeiro trimestre deste ano, invertendo a tendência de queda que este indicador tem vindo a registar desde 2013, quando se situava acima de 400% do PIB. Os dados revelados pelo Banco de Portugal na quarta-feira, 19 de Maio, mostram que o endividamento do sector não financeiro (Estado, empresas públicas e privadas e famílias) aumentou em Março para 724,4 mil milhões de euros, o que representa 356,8% do PIB.

Um terço das empresas não pagou impostos

No ano passado chegaram à Autoridade Tributária (relativas a 2017) 475 119 declarações de IRC, mas quase um terço (30,1%) não teve qualquer imposto sobre os lucros. O cenário seria ainda pior caso não existisse o pagamento especial por conta (PEC). Sem esta espécie de colecta mínima, entregue antes de apurados os resultados, o universo de empresas sem qualquer tipo de tributação ascenderia a 63%.

Endividamento da economia interrompe queda e agrava-se para 356,8% do PIB

O endividamento do sector não financeiro aumentou em valor, para 724,4 mil milhões de euros. sendo que o peso no PIB também se agravou, revelam os dados do Banco de Portugal. O endividamento do sector não financeiro (Estado, empresas públicas e privadas e famílias) aumentou em Março para 724,4 mil milhões de euros. O peso do endividamento da economia no PIB também subiu, situando-se no primeiro trimestre em 356,8%. Segundo as estatísticas divulgadas pelo Banco de Portugal, a dívida do sector não financeiro aumentou 1,4 mil milhões de euros face a Fevereiro. O rácio do endividamento no PIB agravou-se 1,1 pontos percentuais face ao final de 2018.

Electricidade em Portugal é a mais cara da União Europeia

Mais de metade do valor que os portugueses pagam pela electricidade corresponde a impostos. Portugal surge no lugar cimeiro da lista dos países onde a electricidade é mais cara. Segundo o Eurostat, surge na sexta posição, atrás de países mais ricos como Suécia, Itália, Dinamarca, Espanha e Holanda. Quando os preços são ajustados ao poder de compra em cada país, Portugal surge mesmo como o país onde a electricidade é mais cara. Medida em PPS (purchasing power standards), a electricidade em Portugal custa 28,2 unidades, o nível mais elevado entre todos os países da União Europeia e que compara com a média de 21,1. Segundo o Eurostat, 55% do valor que os portugueses pagam pela electricidade corresponde a impostos.