Restrições devido ao coronavírus causaram défice de 2,2% do PIB na zona euro no 1.º trimestre

As medidas restritivas da Europa para conter o surto de coronavírus levaram a um défice orçamental de 2,2% do PIB na zona euro no primeiro trimestre deste ano, o mais elevado desde 2015, anunciou o Eurostat. Estas percentagens comparam com um défice orçamental de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na zona euro no primeiro trimestre de 2019 e de 0,4% do PIB no conjunto da UE, isto em termos homólogos.

Portugal com bolo de 45 mil milhões em subsídios, Algarve com fatia de 300 milhões

Portugal vai arrecadar, com o orçamento da União Europeia a longo prazo e o Fundo de Recuperação, 45 mil milhões de euros em subsídios, destinando 300 milhões à região do Algarve, devido à quebra no turismo. Trata-se de um acréscimo de 37% face ao valor de que o país dispunha segundo o anterior Quadro Financeiro Plurianual 2014-2020. Entre os 45,1 mil milhões de euros que o país irá agora arrecadar incluem-se 15,3 mil milhões de euros em transferências a fundo perdido no âmbito desse programa para a recuperação económica, e 29,8 mil milhões de euros em subsídios do orçamento da UE a longo prazo. E, embora não entrem nestas contas, a estes montantes acrescem 10,8 mil milhões de euros em empréstimos, ainda no âmbito do Fundo de Recuperação.

Endividamento da economia com novo recorde

No mês de Maio, o endividamento do sector não financeiro fixou-se nos 740,7 mil milhões de euros. Desse valor, 333,7 mil milhões dizem respeito ao sector público e 407,7 mil milhões de euros ao sector privado. Este foi o segundo mês em que o endividamento da economia aumentou devido à pandemia de covid-19. No sector privado, as empresas viram o seu endividamento aumentar 2,6 mil milhões de euros, “sobretudo através da subida do endividamento face ao sector financeiro (2,2 mil milhões de euros)”. Já o endividamento dos particulares face ao sector financeiro também cresceu e registou um acréscimo de 0,1 mil milhões de euros.

Défice externo agrava-se para 2,5 mil milhões com quebra no turismo

Os efeitos da pandemia continuam a fazer-se sentir nas contas externas portuguesas, devido sobretudo ao decréscimo acentuado do saldo da rubrica de viagens e turismo. O saldo conjunto das balanças corrente e de capital, que mede a evolução das contas externas do país, foi negativo em 2.496 milhões de euros nos primeiros cinco meses do ano. Este valor traduz um agravamento de 45% face ao registado nos primeiros cinco meses do ano passado e uma subida considerável contra o registado nos primeiros quatro meses deste ano. Entre Janeiro e Abril o saldo externo foi negativo em 864 milhões de euros, um valor mais de quatro vezes superior ao saldo negativo de 201 milhões registado nos primeiros quatro meses de 2019.

Aeroportos esperam recuperar volume de passageiros daqui a quatro anos

O director do Conselho Internacional de Aeroportos na Europa (ACI Europe) disse que a recuperação do tráfego aéreo de passageiros de forma a igualar os níveis do ano passado é esperado apenas em 2024. O ACI Europe assinalou ainda que o tráfego de passageiros em Junho caiu 93% em comparação com o mesmo mês em 2019. No ano passado, os aeroportos europeus receberam 240 milhões de passageiros, valor que este ano desceu para 16,8 milhões. As infra-estruturas devem perder um total de 1.570 milhões de passageiros em 2020, o que significa um decréscimo de 64% em comparação com o ano passado.

Bruxelas avança com processo de infracção contra vouchers

A Comissão Europeia instaurou processos de infracção contra Portugal e nove outros Estados-membros por violação das leis comunitárias para direitos dos passageiros, designadamente a emissão de vouchers, no quadro da covid-19. Ao abrigo da legislação da UE, os passageiros têm o direito de escolher entre o reembolso em dinheiro e outras formas de reembolso tais como um ‘voucher’. Por conseguinte, a Comissão decidiu enviar cartas de notificação para cumprir à República Checa, Chipre, Grécia, França, Itália, Croácia, Lituânia, Polónia, Portugal e Eslováquia”, indica o executivo comunitário.