Financiamento do Estado dispara para 8 mil milhões de euros no primeiro semestre

O financiamento das administrações públicas foi de 8 mil milhões de euros, valor que compara com 1,4 mil milhões de euros registados em igual período de 2019. As administrações públicas financiaram-se junto de bancos residentes em 8,6 mil milhões de euros e junto do exterior em 0,5 mil milhões de euros durante os primeiros seis meses do ano. Por outro lado, o financiamento do Estado junto de outros residentes foi de -1,1 mil milhões de euros. O financiamento através de títulos atingiu os 11,2 mil milhões de euros, “valor que mais que compensou o financiamento em empréstimos líquidos de depósitos de -3,2 mil milhões de euros”.

Endividamento da economia portuguesa chega aos 360% do PIB em junho

O endividamento do setor não-financeiro situou-se em 735,4 mil milhões no final do primeiro semestre do ano, reporta o Banco de Portugal. Deste valor, 327,5 mil milhões dizem respeito ao setor público, enquanto que 407,9 mil milhões são do setor privado. No total, este valor representa 360% do PIB português. O endividamento do setor não financeiro aumentou 16,7 mil milhões de euros quando comparando com o último semestre de 2019, sobretudo devido aos aumentos de 10,1 mil milhões de euros do endividamento do setor público e de 6,6 mil milhões de euros do setor privado. O endividamento das empresas cresceu 5,7 mil milhões de euros, que resulta do aumento de 8,9 mil milhões de euros no financiamento face ao setor financeiro, compensado em parte pela descida do endividamento junto das empresas e do setor não residente.

Número de desempregados inscritos aumenta 37% e ultrapassa os 407 mil

O número de pessoas inscritas nos centros de emprego em Portugal disparou 37% no mês de Julho, face a igual período do ano passado. No final de Julho, estavam inscritas 407 302 pessoas, ou seja, mais 110 012 do que no ano passado. Em termos regionais, o Algarve continua a apresentar as taxas homólogas de desemprego mais elevadas, ultrapassando, de novo, os 200%. Um valor que não será alheio à quebra no turismo em Portugal. O desemprego registado aumentou na generalidade das regiões, com exceção da Região Autónoma dos Açores.

Receitas das portagens caíram 23% no primeiro semestre

A Infraestruturas de Portugal (IP) perdeu, ao todo, 100 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. As portagens, uma das principais fontes de receita, caíram mais de 23%. Os proveitos totalizaram os 119,4 milhões de euros, menos 36,4 milhões do que no mesmo período do ano anterior. A Contribuição do Serviço Rodoviário foi outra das fontes de receita da IP onde também se verificou uma queda, de cerca de 19%, no primeiro semestre do ano. As receitas geradas com esta contribuição foram de cerca de 268,8 milhões de euros, numa diminuição homóloga de 62,9 milhões.

Desemprego ‘real’ afeta mais de 748 mil

Taxa de subutilização do trabalho regista valor de 14% no segundo trimestre deste ano. Aumento do número de pessoas inscritas no espaço de um ano foi de 39% na segunda semana de agosto, segundo o INE. O desemprego ‘real’, tendo por base os números relativos à subutilização do trabalho, afetava no final do segundo trimestre deste ano mais de 748 mil pessoas, segundo informação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os números do desemprego ‘real’ ter-se-ão agravado, entretanto, tendo em conta apenas os dados sobre as pessoas inscritas nos centros emprego, que ascenderam a 382 mil em Julho, traduzindo um crescimento de 38,8% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Défice externo chega quase aos dois mil milhões de euros no primeiro semestre

O défice comercial de bens passou de 6% do PIB em 2015 para 9,7% em 2019. É o valor mais alto desde 2010. Nos primeiros seis meses do ano, o défice externo (o saldo conjunto das balanças corrente e de capital) atingiu 1.985 milhões de euros, mais 323 milhões do que o verificado em igual período do ano passado. Enquanto as exportações de bens caíram 16,5%, as compras de bens ao exterior diminuíram 17,3%. Desta forma, o défice da balança de bens encolheu 1.623 milhões de euros no primeiro semestre, face ao período homólogo.

Consumidores estão mais pessimistas

A baixa expectativa sobre a evolução da situação económica do País levou a uma diminuição, em Julho, do indicador de confiança dos consumidores, que atingiu o valor mínimo desde maio de 2013. 58% das empresas nacionais reportaram uma redução do volume de negócios na primeira quinzena de Julho, face ao expectável sem pandemia, revelou o INE. Na primeira quinzena de Julho, a percentagem global de empresas em funcionamento foi 99%. Contudo, no alojamento e restauração fixou-se nos 93%. Segundo dados do INE, os indicadores de confiança, elaborados com base em inquéritos feitos junto das empresas, aumentaram em todos os setores de atividade e de forma mais expressiva na indústria transformadora.

Turismo penaliza

A balança de serviços o comportamento foi precisamente o oposto. Registou-se uma degradação acentuada, com o excedente a manter-se, mas em níveis bastante mais baixos: o tombo foi de 3.555 milhões de euros. Enquanto no primeiro semestre de 2019 Portugal tinha um excedente na balança de serviços de 7.159 milhões de euros, agora fica-se pelos 3.604 milhões. A justificar este resultado está a rubrica de viagens e turismo, cujo saldo se degradou em 3.027 milhões de euros.

Portugal mais endividado ao exterior

Em resultado da recessão económica e do aumento do défice externo, a economia portuguesa aumentou o seu nível de endividamento ao exterior. Os dados do Banco de Portugal dão conta de uma degradação da posição de investimento internacional (PII) de 100,8% do PIB no final de 2019, para 103,8% do PIB. Em termos nominais, o desequilíbrio até se reduziu ligeiramente (1,9 mil milhões de euros, para 212 mil milhões), mas o PIB encolheu com maior violência, tornando a dívida total mais pesada face à dimensão da economia.

Inflação da zona euro sobe ligeiramente em Julho

A taxa de inflação anual na zona euro situou-se em 0,4% em julho, uma ligeira subida face aos 0,3% de junho, mas ainda abaixo de 1% no período homólogo de 2019. No conjunto da UE, a taxa de inflação anual fixou-se em 0,9%, acima dos 0,8% do mês anterior. De acordo com o Eurostat, as taxas anuais de inflação mais baixas foram registadas na Grécia (-2,1%), Chipre (-2,0%) e Estónia (-1,3%), enquanto as mais elevadas se verificaram na Hungria (3,9%), Polónia (3,7%) e República Checa (3,6%).