Retenções ilegais de imposto na base de 80% de inquéritos crime

A esmagadora maioria diz respeito ao crime de abuso de confiança fiscal devido a impostos retidos na fonte como o IRS dos trabalhadores e o IVA de clientes, de montantes superiores a 7.500 euros, valor a partir do qual é considerado crime. A Administração Tributária (AT) instaurou, no ano passado, 4.352 inquéritos crime, menos 4,1% face aos processos abertos em 2017. Abuso de confiança fiscal é o crime que está na base de 81% da totalidade dos inquéritos. A retenção indevida de impostos representa 81% dos processos instaurados no ano passado, num total de 3.509 casos de abuso fiscal. Este é o universo de contribuintes, essencialmente administradores e gestores, que se arriscam a pena de prisão até cinco anos.

Empresas estão a investir menos na formação dos trabalhadores

O investimento feito pelas empresas na formação dos trabalhadores está a cair e representa hoje, em média, menos 150 euros do que em 2010. O gasto por cada acção de formação está agora em 349 euros. E, ainda assim, são menos de um quinto do total as empresas que apostam na formação contínua, mesmo que a lei exija 35 horas anuais de actualização de conhecimentos a cada trabalhador. Só 19,6% das empresas portuguesas asseguram a formação contínua dos trabalhadores. A percentagem é baixa, mas, apesar de tudo, está a crescer. Em Outubro de 2017, os últimos dados disponíveis, um total de 50 001 entidades patronais garantia formação profissional, mais 10% do que igual período do ano anterior. E a taxa de participação dos trabalhadores subiu aos 40%, com mais de um milhão a frequentar as acções pagas pelas empresas. O número cresceu 15%.

Quem ganhava bem passou a ganhar mais, os que ganhavam mal passaram a ganhar menos

Um estudo da Organização Mundial do Trabalho conclui que as desigualdades entre quem ganha muito e quem ganha pouco aumentaram nos últimos anos. E, em Portugal, os trabalhadores viram diminuir a parcela dos salários no PIB. Se há 10% que recebem quase metade dos rendimentos do trabalho, aqueles que têm os salários baixos ficam apenas com 6,4% desse bolo. E cerca de 650 milhões de trabalhadores, ou seja, 20% dos que têm os salários mais baixos, ficam com menos de 1% da remuneração mundial. Aliás, os mais mal pagos precisariam de trabalhar mais de 300 anos para ganhar o mesmo que os mais bem pagos fazem num ano. E, quanto à distribuição desses rendimentos, Portugal está mais próximo dos países do Leste da Europa do que dos vizinhos.

80% dos trabalhadores temporários estão a prazo de forma involuntária

A média europeia de trabalhadores com vínculo precário sem o querer é de 45%. Portugal está bem acima e pior só mesmo o Chipre, com 90%. Mais de 80% dos contratados a termo em Portugal dizem sofrer desse problema; pior só em Chipre (quase 90%), revelam dados do Eurostat. A média europeia é cerca de metade (45%). O fenómeno afecta “mais as mulheres do que os homens (53,7% versus 51,9%), sendo que “em cinco Estados membros (Espanha, Croácia, Itália, Chipre e Portugal) pelo menos quatro em cinco funcionários temporários estão a trabalhar involuntariamente nesse tipo de contrato”. Segundo o Eurostat, Chipre lidera com uma taxa de incidência do problema na ordem dos 89%, Portugal tem 82%, Espanha tem quase 82% também.

Fisco tem por cobrar 15 mil milhões de euros em impostos

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) tem por cobrar 15.019 milhões de euros em impostos, sendo que mais de metade da dívida dos contribuintes está suspensa, revela o Relatório de Combate à Fraude e Evasão Fiscais e Aduaneiras com o balanço de 2018. A dívida suspensa atingiu, no ano passado, os 8.664 milhões de euros (menos 459 milhões de euros face a 2016), estando em causa dívidas fiscais que estão suspensas, seja por se aguardar uma decisão dos tribunais ou por causa de processos de insolvência.  Já a dívida activa (considerada cobrável) atingiu, no ano passado, os 6.355 milhões, mais 2,6% face aos 6.157 milhões de euros registados em 2017. Ou seja, mais 180 milhões de euros de dívidas fiscais estão por cobrar.

Investimento através dos vistos gold cai 23% no primeiro semestre para 372 milhões de euros

Nos primeiros seis meses do ano, o investimento proveniente de Autorizações de Residência para Actividade de Investimento (ARI) totalizou 372.243.909,50 euros, o que corresponde a uma queda de 23% face ao primeiro semestre de 2019 (484 milhões de euros). Em mais de seis anos e meio – o programa ARI foi lançado em Outubro de 2012 –, o investimento acumulado até Junho totalizou 4.622.042.687,16 euros, com a aquisição de imóveis a somar 4.179.555.493,41 euros. Os vistos “dourados” atribuídos por via da transferência de capital ascendem a 442.487.193,8 euros. Por nacionalidades, a China lidera a atribuição de vistos (4.291), seguida do Brasil (764), Turquia (347), África do Sul (299) e Rússia (263). Desde o início do programa foram atribuídas 12.874 autorizações de residência a familiares reagrupados, das quais 1.059 este ano.