Quedas “históricas” afundam proveitos da hotelaria em 98%

Num mês em que Portugal estava em estado de emergência, as receitas da hotelaria praticamente desapareceram. Na retoma, as regiões de turismo tentam atrair os nacionais. As regiões de turismo estão a lançar campanhas para atrair o mercado interno, que vai assumir maior peso este ano. Num mês de interrupção quase total da actividade turística, o conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico portugueses registou receitas de apenas 5,7 milhões de euros. É uma queda superior a 98%.

Portugal é dos países mais expostos ao impacto das exportações no turismo

Portugal está entre os países da zona euro mais expostos à redução das exportações no sector do turismo devido à covid-19, juntamente com Chipre, Malta e Grécia, segundo um artigo divulgado hoje pelo Banco Central Europeu (BCE). É estimado que os países da zona euro mais expostos ao impacto da pandemia em termos de exportações líquidas de serviços de viagens sejam Chipre, Malta, Grécia e Portugal. Espanha, Áustria, Luxemburgo e Eslovénia “também deverão sofrer um impacto significativo em termos de exportações líquidas nas viagens”, mas “em contraste, Alemanha e Bélgica deverão beneficiar ligeiramente em termos de exportações líquidas, dado que são grandes importadores de serviços de viagens”.

Estrangeiros seguram mercado imobiliário na pandemia e turismo afunda 60%

Mercado imobiliário aguenta-se, sobretudo devido aos investidores não residentes. Recessão de 2020 deve ser a mais violenta desde 1928, ou pior, e turismo afundará 60%. Se não fossem os estrangeiros, a venda de casas teria caído de forma acentuada durante a pandemia, diz o Banco de Portugal (BdP). Aliás, em maio, já houve sinais de revitalização do mercado. Ainda assim, o novo investimento em termos globais deverá cair cerca de 11% este ano, naquele que será o pior registo desde a crise do tempo da troika (2012). A construção e o imobiliário estão a resistir à hecatombe provocada pela covid-19.

País perde 20 mil milhões na pandemia e mergulha na maior recessão desde 1928

São números alarmantes e que colocam o Banco de Portugal (BdP) como a entidade mais pessimista sobre o impacto da pandemia na economia portuguesa. A instituição prevê uma quebra de 9,5% no PIB para este ano, a maior contracção desde 1928. A confirmarem-se estas previsões, que representam uma quebra de 20,2 mil milhões de euros no PIB, os 15,5 mil milhões que deverão vir da UE a fundo perdido para a recuperação da economia poderão não ser suficientes. No próximo ano, a economia deverá voltar a crescer 5,2%. Em 2022, o indicador passa para os 3,8%, permitindo repor níveis do PIB próximos de 2019. Contudo, em 2022 não será ainda possível voltar a níveis de desemprego pré-pandemia. É por isso estimada uma taxa de desemprego de 10,1%.

Portugal sobe dois lugares e ocupa 37.ª posição na lista de países mais competitivos

Portugal destaca-se na categoria de preços, convertendo-se no 30.º país mais competitivo a nível mundial. Portugal sobe duas posições no ‘ranking’ dos países mais competitivos a nível mundial face a 2019, para 37.ª posição, sendo o pódio agora ocupado por Singapura, Dinamarca e Suíça, adianta. Este ano, o grande salto competitivo foi dado pela Dinamarca e pela Suíça, que passaram a figurar no ‘top’ 3 dos países mais competitivos do mundo — um pódio que em 2019 era ocupado por Hong Kong e pelos Estados Unidos da América. Também a par com os resultados do ano passado, a mão-de-obra qualificada (75,9%), o custo de oportunidade (65,1%) e a estabilidade das infra-estruturas (61,4%) continuam a ser os principais indicadores de atractividade do país.

Trabalhadores no ‘lay-off da retoma’ recebem no mínimo 77% do salário

Deixa de haver suspensão de contratos, mas muitas empresas mantêm regras antigas. Salários só voltam a 100% em Janeiro. Há 65 mil empresas que já renovaram lay-off, mas governo confirma várias desistências. As regras para reduzir salários em empresas afectadas pela pandemia mudam a partir de Agosto para as que já tenham esgotado os três meses de acesso ao regime simplificado, bem como para as que apresentam primeiros pedidos já a meio do Verão. Os apoios à manutenção dos postos de trabalho vão ficar bem mais complexos, com três tipos de regras a correr em simultâneo. Os salários em pleno só devem voltar em Janeiro, mas a regra de não despedir também vai poder manter-se, nalguns casos, até lá.