Desemprego ‘real’ afeta mais de 748 mil

Taxa de subutilização do trabalho regista valor de 14% no segundo trimestre deste ano. Aumento do número de pessoas inscritas no espaço de um ano foi de 39% na segunda semana de agosto, segundo o INE. O desemprego ‘real’, tendo por base os números relativos à subutilização do trabalho, afetava no final do segundo trimestre deste ano mais de 748 mil pessoas, segundo informação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os números do desemprego ‘real’ ter-se-ão agravado, entretanto, tendo em conta apenas os dados sobre as pessoas inscritas nos centros emprego, que ascenderam a 382 mil em Julho, traduzindo um crescimento de 38,8% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Consumidores estão mais pessimistas

A baixa expectativa sobre a evolução da situação económica do País levou a uma diminuição, em Julho, do indicador de confiança dos consumidores, que atingiu o valor mínimo desde maio de 2013. 58% das empresas nacionais reportaram uma redução do volume de negócios na primeira quinzena de Julho, face ao expectável sem pandemia, revelou o INE. Na primeira quinzena de Julho, a percentagem global de empresas em funcionamento foi 99%. Contudo, no alojamento e restauração fixou-se nos 93%. Segundo dados do INE, os indicadores de confiança, elaborados com base em inquéritos feitos junto das empresas, aumentaram em todos os setores de atividade e de forma mais expressiva na indústria transformadora.

Portugal perdeu 18 milhões de passageiros em seis meses

O setor da aviação arrasta-se numa crise que os números insistem em confirmar. Os dados de Junho revelam a quebra acentuada do tráfego aéreo durante o segundo trimestre do ano, devido à pandemia. Em apenas seis meses, os aeroportos nacionais perderam mais de 18 milhões de passageiros. Os dados já eram previsíveis, mas foram agora oficializados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e permitem perceber o impacto das restrições às viagens impostas por vários Governos, na sequência da pandemia da covid-19, no setor da aviação. E nem sequer uma tímida recuperação, face a Abril e Maio, permitiu ao setor escapar, neste momento, ao cenário de profunda crise que se instalou.

Layoff – Empresas podem rescindir

As empresas que estiveram abrangidas pelos apoios criados no âmbito da covid-19 não podem avançar para despedimentos coletivos ou por extinção do posto de trabalho, mas podem avançar com rescisões por mútuo acordo. Apesar de proibir os despedimentos coletivos ou por extinção de posto de trabalho, nos 60 dias seguintes, o lay-off – e os mecanismos que se seguem – acaba por não proibir a dispensa de trabalhadores precários, ao mesmo tempo que também não garante proteção total para os que têm outro tipo de contratos menos precários.

Ryanair reduz 20% dos voos em Setembro e Outubro

Reduções passam, sobretudo, por uma menor frequência de voos e não por interrupções do serviço. A companhia aérea irlandesa Ryanair anunciou uma redução de 20% do número de voos em Setembro e Outubro, apontando uma baixa nas reservas devido a um aumento de casos de covid-19 na Europa. A Ryanair, que até agora tinha previsto voltar a 70% da sua capacidade em Setembro, explica em comunicado ter de reduzir os voos previstos, nomeadamente para França e para Espanha, dois países incluídos na quarentena imposta pelo Governo britânico. Para enfrentar a crise causada pela pandemia e a diminuição da procura, a Ryanair já anunciou um plano de reestruturação que passa pela eliminação de 3.000 empregos, o que representa 15% do seu pessoal.

Pandemia põe milhões de europeus no caminho da crise

A crise económica pode agravar-se na Europa: os planos para suspender a ajuda sem precedentes aos trabalhadores durante a pandemia de coronavírus ameaçam mergulhar milhões de famílias em dívidas. Organizações que ajudam as pessoas a resolverem problemas financeiros alertam sobre o forte aumento do número de famílias sobrecarregadas por contas que não conseguem pagar. Mesmo nos países ricos com grandes poupanças, como a Alemanha e a Áustria, os cidadãos começam a mostrar preocupação. A Resolution Foundation disse este mês que 44% das famílias do Reino Unido antes da crise seriam incapazes de pagar as contas num período de três meses se perdessem a sua principal fonte de rendimento.