Défice e dívida da Zona Euro com forte subida em 2020

Os dados revelados pelo Eurostat, o gabinete de estatística da União Europeia, indicam uma subida do défice, tanto na Zona Euro como na União Europeia, justificada pelas medidas necessárias para responder à pandemia de covid-19. Na Zona Euro, o défice dos governos subiu de 0,6% em 2019 para 7,2% no ano passado. Já na União Europeia foi registado um aumento dos 0,5% em 2019 para os 6,9% em 2020. O peso da dívida em função do PIB na Zona Euro atingiu os 98% no ano passado, acima dos 83,9% registados no final de 2019. Também na União Europeia o peso da dívida em função do PIB fica acima dos 90%, passando dos 77,5% em 2019 para 90,7% no ano passado. Itália (155,8%), Portugal (133,6%), Espanha (120%), Chipre (118,2%), França (115,7%) e Bélgica (114,1%) são os maiores devedores.

Endividamento da economia está nos 751,4 mil milhões

O endividamento do setor não financeiro fixou-se nos 751,4 mil milhões de euros, dos quais 345,6 mil milhões de euros diziam respeito ao setor público e 405,8 mil milhões de euros ao setor privado. Relativamente ao mês anterior, o endividamento do setor não financeiro cresceu 5,4 mil milhões de euros. Um crescimento que é justificado com o “incremento de 4,1 mil milhões de euros do endividamento do setor público e de 1,3 mil milhões de euros do endividamento do setor privado”. No mês em análise, a taxa de variação anual (tva) do endividamento total das empresas privadas foi de 1,8% – mais 0,5 pontos percentuais do que no mês anterior. Já a tva do endividamento total dos particulares caiu 0,2 pontos percentuais, para 1%.

Baixas recuam após recorde de 300 mil pessoas num mês

A categoria em que estão refletidos os subsídios relacionados com a covid-19 caiu para metade em Março, depois do extraordinário mês de Fevereiro, quando a pandemia levou ao recorde de 300 mil subsídios de doença. O número de pessoas que recebe subsídio de doença recuou 24% em Março, essencialmente devido à categoria covid-19, depois de ter atingido, em Fevereiro, um novo máximo histórico em mais de 20 anos, ultrapassando as 300 mil pessoas só nesse mês.

Custos com o desemprego subiram 41% num ano

Os gastos mensais com prestações por desemprego terão sido em Março de 122,3 milhões de euros, mais 41% que no mesmo mês de um ano antes, quando a pandemia entrou no país. Passado um ano, a Segurança Social paga mais cerca de 36 milhões de euros a quem perdeu o emprego, mas ainda pouco mais de metade dos desempregados tem acesso a subsídio. Segundo a últimas estatísticas da Segurança, em Março havia 241 263 desempregados com acesso a prestações por desemprego, com o valor médio destas a ficar em 507,5 euros.

55,7% dos desempregados sem acesso a prestação de desemprego

Dos 433 mil desempregados oficialmente registados no IEFP pouco mais de 241 mil têm acesso a algum tipo de prestação por desemprego. Ou seja, 55,7%, numa percentagem que se encontra hoje mais elevada que há um ano, mas que ainda em Dezembro atingia um máximo de uma década nos 60%, acabando por regredir novamente. Esta descida é explicada, essencialmente, pelo menor número de beneficiários do subsídio social de desemprego que esgotaram a ajuda no final do último ano.

Pensões pagas a aposentados caem há três meses

O número de pensões de velhice e de pensões de sobrevivência pagas pela Segurança Social está a cair há três meses, indicam também os dados estatísticos conhecidos. Em Março, a Segurança Social pagou menos 12 329 pensões a aposentados, das quais 9409 pensões de velhice e 2920 pensões de sobrevivência (pagas a viúvos de antigos pensionistas). Trata-se de um número reduzido num universo de mais de 2,7 milhões de pensões pagas, mas marca uma inversão, mesmo que temporária, na tendência constante de aumento dos beneficiários de pensões.