26% das empresas sofrem “incumprimentos significativos” em 2020

Quase 30% das empresas portuguesas sofreram “incumprimentos significativos” em 2020, apesar das injeções de liquidez e dos estímulos fiscais para atenuar os efeitos económicos da covid-19, segundo um estudo promovido pela Crédito y Caución e pela Iberinform, tendo as medidas adotadas nos primeiros meses do Estado de Emergência obrigado 74% das empresas a reduzir a sua atividade produtiva e comercial. Nesse contexto de excesso de capacidade, 58% das empresas portuguesas sentiu uma deterioração dos níveis de solvência dos seus clientes aos longo de 2020, sinaliza o estudo.

Banca reduziu o crédito malparado em 2020

Em 2020 os lucros da banca e a rentabilidade derraparam face a 2019 e os bancos tiverem de reforçar as provisões por conta da pandemia. Mas o crédito malparado (NPL) teve uma evolução positiva: caiu 2841 milhões de euros face a 2019. Assim, os resultados líquidos dos bancos caíram 77% para 435 milhões de euros face a 2019, ano em que ascenderam a 1,8 mil milhões de euros. A APB sublinha que este é um resultado “maioritariamente explicado pelo reforço expressivo das imparidades, que totalizaram 2,9 mil milhões de euros (mais 74% que o valor registado em 2019). Mas o crédito malparado (valores brutos) recuou de 17,2 mil milhões de euros em 2019 para 14,4 mil milhões de euros em 2020, uma redução de 2,8 mil milhões.

Depósitos bancários aumentaram

Em Portugal os depósitos de clientes cresceram 4,7% para 279,7 mil milhões de euros, os empréstimos a empresas subiram 10,4% para 73,9 mil milhões e os créditos concedidos a particulares 1,6% para 120,8 mil milhões de euros. O rácio de transformação, créditos sobre depósitos, está nos 84,9%. Os bancos fecharam 2020 com menos 1198 trabalhadores, empregando no final de Dezembro 40.475 trabalhadores, o que representou uma redução de 2,9% face a 2019. Também o número de balcões encolheu de 4028 para 3826 em 2020, um corte de 5% nas agências abertas, ou seja, menos 202 balcões.

Seis bancos portugueses com perdas de 293 milhões em 2020

Os bancos portugueses BCP, CGD, Novo Banco, Santander Totta, BPI e Montepio registaram uma perda líquida agregada de 293 milhões de euros em 2020, contra lucros líquidos de 894 milhões de euros em 2019, refere a DBRS. No entanto, a DBRS afirma que “o impacto teria sido pior sem a intervenção política” e “por enquanto, as medidas de apoio político mitigaram as consequências económicas, protegendo a qualidade dos ativos dos bancos”. Em relação ao crédito malparado, a DBRS refere que os créditos não produtivos (em inglês, ‘non-performing loan’ ou NPL) brutos caíram 22% em 2020, graças às vendas de NPL. Mais de 20% do total de empréstimos em Portugal foi coberto por moratórias em 2020 e a maioria destes empréstimos são de clientes PME.

Fortunas dos mais ricos do mundo cresceram 24% em tempo de pandemia

De acordo com os dados da agência Bloomberg, entre das 20 maiores fortunas mundiais, apenas três viram os rendimentos diminuírem em tempos de covid-19. Patrão da Amazon continua a ser o mais rico. Se juntarmos todas as fortunas do top 20, verificamos que elas totalizam 1,77 biliões de dólares (1,44 biliões de euros), o que na prática representa um acréscimo de 24% relativamente ao ano passado. A lista continua a ser liderada pelo americano Jeff Bezos, que beneficiou dos excelentes resultados financeiros da Amazon, uma das empresas que mais beneficiou com o confinamento por causa das compras online. Bezos tem uma fortuna avaliada em 193.700 milhões de dólares (157.846 milhões de euros), que no último ano teve um crescimento de 68,7%, ou seja de 78,9 milhões de euros.

Governo aprova lay-off com salários pagos a 100%

Quem requerer lay-off a partir de 1 de Janeiro de 2021 vai passar a poder assegurar a remuneração a 100% dos trabalhadores, mas as situações antes dessa data terão cortes. O Governo aprovou a norma que permite que o chamado lay-off (suspensão ou redução do contrato dos trabalhadores) seja pago a 100%, uma medida que tem a particularidade de ser apenas para situações de lay-off após 1 de Janeiro de 2021. Os outros casos vão estar incluídos no lay-off já existente no Código do Trabalho que implicam cortes salariais de 25% do vencimento bruto.