Investimento estrangeiro vai afundar 40% este ano

Nações Unidas falam em quebra dramática devido à pandemia. Investimento internacional cai para níveis de 2005. O investimento directo estrangeiro deverá cair 40% neste ano para valores não vistos desde 2005, de acordo com o relatório anual da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O relatório da ONU destaca que, entre as cinco mil maiores multinacionais, a grande maioria reviu já em baixa as expectativas de resultados, prevendo-se, em média, quebras de 35% para os negócios com maior investimento internacional. E a recuperação está longe de ser dada como certa.

Países encostados ao turismo vão passar as passas do Algarve

Mercado de trabalho foi severamente atingido, especialmente os trabalhadores com salários mais baixos e os semiqualificados que não têm como opção o teletrabalho, observa o FMI. Depois de o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu (BCE) terem visado directamente Portugal, ontem foi a vez de o Fundo Monetário Internacional (FMI) hastear a bandeira vermelha: Países altamente dependentes de sectores como turismo, alojamento e viagens deverão sofrer impactos profundos na actividade e por um período prolongado de tempo. Agora, num grupo de 30 países grandes que representam mais de 83% da economia global, apenas dois não caem em recessão neste ano (China e Egipto, com expansões ligeiras de 1% e 2%, respectivamente).

Falências e malparado são ameaça à banca

Banco de Portugal diz que moratórias são alívio, mas que se nada mais for feito há o risco. A pandemia parou a actividade económica. Retoma será em ambiente de crise. Se as medidas do Governo forem mal delineadas ou curtas no tempo, o Estado arrisca-se a ter de voltar a salvar bancos. O aviso é deixado pelo Banco de Portugal no relatório de estabilidade financeira. Caso as medidas de apoio governamental ao sector privado não financeiro não sejam de dimensão adequada e suficiente face à duração e magnitude da crise pandémica ou sejam retiradas de forma extemporânea, a banca voltará a entrar em dificuldades.

Lay-off comum abrange cada vez mais pessoas

São cada vez mais as empresas que optam pelo lay-off convencional do Código do Trabalho, e não o regime simplificado. Em Maio, foram mais de 44 mil os trabalhadores abrangidos pelo mecanismo que permite manter contratos suspensos e salários reduzidos a dois terços, no limite, por até um ano e meio. Os dados elevam assim para 894 118 os trabalhadores com horários reduzidos e contratos suspensos, 849 715 dos quais no regime simplificado. Se preencherem requisitos, as empresas que esgotem o lay-off simplificado vão poder transitar sem entraves para o mecanismo convencional.

Dinheiro para a TAP seria mais bem distribuído “através das várias companhias aéreas”, diz presidente da Ryanair

Ryanair considera que o mecanismo de apoio mais justo seria o de “suspender, reduzir ou adiar os impostos na aviação e as taxas de aeroporto e de controlo aéreo, beneficiando assim todas as companhias áreas na proporção do seu contributo para a conectividade aérea na Europa. O dinheiro que o Estado pretende a injectar na TAP seria melhor distribuído através das várias companhias aéreas que operam em Portugal em proporção do seu contributo para a conectividade do país. Operações de salvamento massivas, compostas por muitos milhares de milhões de euros, a um punhado de companhias aéreas nacionais, são regressivos, injustos e ilegais numa crise que afectou tudo e todos.

Tribunal aceita providência cautelar para travar injecção de dinheiro na TAP

Justiça vai agora analisar os pressupostos da providência cautelar interposta pela Associação Comercial do Porto (ACL) mas os efeitos suspensivos são imediatos, impedindo que o Estado avance para já com os 1,2 mil milhões aprovados para ajudar a companhia aérea nacional. Ajuda fica assim adiada até à decisão judicial final. Os fundamentos jurídicos da providência cautelar assentam em três argumentos: “o desrespeito pelo princípio do equilíbrio territorial, uma vez que o plano de voos da TAP concentra 96% dos voos internacionais no aeroporto de Lisboa, marginalizando o aeroporto do Porto e ignorando os demais”; “a defesa do princípio da transparência, uma vez que, se a TAP é uma empresa privada, deve viver dos seus próprios recursos” e a “promoção do princípio da racionalidade, pois se a TAP passa a ser uma companhia pública, ou o Estado nela coloca fundos avultados, onerando os contribuintes activos e as gerações vindouras, então a esse contributo nacional deve corresponder um serviço de dimensão nacional.

Desemprego dispara 34% em Maio. Há mais 103 mil pessoas face ao ano passado

Os trabalhadores não qualificados foram o que mais contribuíram para a subida. A região do Algarve registou o maior aumento homólogo acima de 200%. O número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Maio disparou 34% face ao mesmo mês do ano passado, o que representa em termos homólogos mais de 103 mil pessoas, de acordo com o Instituo de Emprego e Formação Profissional (IEFP). No fim do mês de Maio de 2020, estavam registados, nos serviços de emprego do Continente e Regiões Autónomas, 408 934 indivíduos desempregados.

Endividamento da economia portuguesa em máximos históricos nos 736,3 mil milhões de euros

Entre Março e Abril deste ano, o endividamento da economia portuguesa subiu 11,3 mil milhões de euros para um novo máximo histórico. O endividamento da economia portuguesa – que engloba empresas, famílias e Estado – subiu 11,3 mil milhões de euros entre Março e Abril deste ano para os 736,3 mil milhões de euros, o que representa um novo máximo histórico, segundo os dados revelados pelo Banco de Portugal.

Despedimentos colectivos aceleram

O número de trabalhadores abrangidos nos primeiros 15 dias do mês é o mais alto desde o início da pandemia. Há menos processos, mas muito mais trabalhadores abrangidos. Depois do abrandamento ao longo do mês de Maio, os processos de despedimento colectivo voltam a acelerar. Os dados publicados pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho confirmam esse aumento exponencial.

Governo aprova apoios à retoma da actividade e prorroga lay-off simplificado

As empresas que criem empregos novos durante o período de apoio à retoma terão isenção da TSU durante seis meses. Foi regulado o instrumento que é um incentivo extraordinário às empresas que deixem de estar em lay-off simplificado para reforçar a liquidez das empresas e que constitui uma opção entre dois mecanismos possíveis: entre ter um apoio financeiro de um salário mínimo por cada trabalhador em lay-off ou dois salários mínimos por trabalhador, tendo como contrapartida a necessidade de manutenção do nível de emprego da empresa durante a aplicação desta medida. Assim há um apoio “one-off” (para usar apenas uma vez) no valor de salário mínimo por posto de trabalho que tenha estado em lay-off ao abrigo do regime simplificado. Em alternativa, terá o apoio ao longo de seis meses, no valor de dois salários mínimos nacionais por trabalhador (pagos em duas ou três tranches ao longo de seis meses), e com a redução de 50% de contribuições para a Segurança Social nos primeiros três meses. As empresas que optem por este segundo mecanismo, podem ainda ter a isenção total da TSU caso criem novo emprego durante o período do apoio extraordinário.