Países encostados ao turismo vão passar as passas do Algarve

Mercado de trabalho foi severamente atingido, especialmente os trabalhadores com salários mais baixos e os semiqualificados que não têm como opção o teletrabalho, observa o FMI. Depois de o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu (BCE) terem visado directamente Portugal, ontem foi a vez de o Fundo Monetário Internacional (FMI) hastear a bandeira vermelha: Países altamente dependentes de sectores como turismo, alojamento e viagens deverão sofrer impactos profundos na actividade e por um período prolongado de tempo. Agora, num grupo de 30 países grandes que representam mais de 83% da economia global, apenas dois não caem em recessão neste ano (China e Egipto, com expansões ligeiras de 1% e 2%, respectivamente).

Lay-off comum abrange cada vez mais pessoas

São cada vez mais as empresas que optam pelo lay-off convencional do Código do Trabalho, e não o regime simplificado. Em Maio, foram mais de 44 mil os trabalhadores abrangidos pelo mecanismo que permite manter contratos suspensos e salários reduzidos a dois terços, no limite, por até um ano e meio. Os dados elevam assim para 894 118 os trabalhadores com horários reduzidos e contratos suspensos, 849 715 dos quais no regime simplificado. Se preencherem requisitos, as empresas que esgotem o lay-off simplificado vão poder transitar sem entraves para o mecanismo convencional.

Dinheiro para a TAP seria mais bem distribuído “através das várias companhias aéreas”, diz presidente da Ryanair

Ryanair considera que o mecanismo de apoio mais justo seria o de “suspender, reduzir ou adiar os impostos na aviação e as taxas de aeroporto e de controlo aéreo, beneficiando assim todas as companhias áreas na proporção do seu contributo para a conectividade aérea na Europa. O dinheiro que o Estado pretende a injectar na TAP seria melhor distribuído através das várias companhias aéreas que operam em Portugal em proporção do seu contributo para a conectividade do país. Operações de salvamento massivas, compostas por muitos milhares de milhões de euros, a um punhado de companhias aéreas nacionais, são regressivos, injustos e ilegais numa crise que afectou tudo e todos.

Tribunal aceita providência cautelar para travar injecção de dinheiro na TAP

Justiça vai agora analisar os pressupostos da providência cautelar interposta pela Associação Comercial do Porto (ACL) mas os efeitos suspensivos são imediatos, impedindo que o Estado avance para já com os 1,2 mil milhões aprovados para ajudar a companhia aérea nacional. Ajuda fica assim adiada até à decisão judicial final. Os fundamentos jurídicos da providência cautelar assentam em três argumentos: “o desrespeito pelo princípio do equilíbrio territorial, uma vez que o plano de voos da TAP concentra 96% dos voos internacionais no aeroporto de Lisboa, marginalizando o aeroporto do Porto e ignorando os demais”; “a defesa do princípio da transparência, uma vez que, se a TAP é uma empresa privada, deve viver dos seus próprios recursos” e a “promoção do princípio da racionalidade, pois se a TAP passa a ser uma companhia pública, ou o Estado nela coloca fundos avultados, onerando os contribuintes activos e as gerações vindouras, então a esse contributo nacional deve corresponder um serviço de dimensão nacional.

Desemprego dispara 34% em Maio. Há mais 103 mil pessoas face ao ano passado

Os trabalhadores não qualificados foram o que mais contribuíram para a subida. A região do Algarve registou o maior aumento homólogo acima de 200%. O número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Maio disparou 34% face ao mesmo mês do ano passado, o que representa em termos homólogos mais de 103 mil pessoas, de acordo com o Instituo de Emprego e Formação Profissional (IEFP). No fim do mês de Maio de 2020, estavam registados, nos serviços de emprego do Continente e Regiões Autónomas, 408 934 indivíduos desempregados.

Despedimentos colectivos aceleram

O número de trabalhadores abrangidos nos primeiros 15 dias do mês é o mais alto desde o início da pandemia. Há menos processos, mas muito mais trabalhadores abrangidos. Depois do abrandamento ao longo do mês de Maio, os processos de despedimento colectivo voltam a acelerar. Os dados publicados pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho confirmam esse aumento exponencial.